Analisamos mais de 140.000 SKUs de 90 marcas brasileiras no primeiro trimestre de 2026. O resultado revela padrões de precificação que a maioria das marcas ainda não percebeu.
No primeiro trimestre de 2026, analisamos 140.312 SKUs de 91 marcas brasileiras nos segmentos de vestuário feminino, masculino e acessórios. Os dados revelam três tendências claras de precificação que têm impacto direto nas estratégias de margem e posicionamento.
Produtos de alta rotatividade — básicos como camisetas, calças jeans e vestidos casuais — sofreram uma compressão média de 9,1% no preço de venda entre janeiro e março, sem um aumento equivalente nos descontos declarados.
O que isso significa: as marcas estão absorvendo o custo, não transferindo para o consumidor. A hipótese mais provável é pressão competitiva por preço, especialmente nas faixas de R$ 99 a R$ 199.
Marcas mais afetadas: segmento fast-fashion nacional e marcas com posicionamento de entrada.
Em contraste direto com o ponto anterior, categorias como roupas de academia premium, peças em linho e algodão texturizado e jaquetas oversized viram aumentos médios de 14,2% no preço — sem perda visível de estoque.
Isso indica que o consumidor brasileiro de renda média-alta está aceitando pagar mais por produtos que percebe como diferenciados, mesmo em um contexto macroeconômico de pressão inflacionária. O movimento em linho e algodão texturizado foi um dos primeiros sinalizados pela Mira em janeiro — marcas que agiram naquele momento tiveram semanas de vantagem antes do movimento se consolidar no mercado.
Um padrão recorrente: as duas semanas após o carnaval historicamente apresentam uma janela de elasticidade maior. Em 2026, o padrão se confirmou com força — marcas que reposicionaram preços entre os dias 5 e 19 de março (logo após o carnaval de 28 de fevereiro a 4 de março) obtiveram margens melhores sem queda de conversão.
O mecanismo é simples: o consumidor está psicologicamente "resetado" após as festas, mais receptivo a compras de novos itens e menos ancorado nos preços pré-carnaval.
Marcas que monitoravam o comportamento de precificação de concorrentes na plataforma Mira identificaram esse movimento em tempo real — e ajustaram suas próprias tabelas antes que a janela fechasse.
Reveja sua política de preços em básicos: se você está competindo por preço nessa faixa, os dados sugerem que o mercado está cada vez mais difícil. A alternativa é diferenciar pelo produto ou mudar de faixa.
Explore nichos premium com mais confiança: os dados indicam que há demanda real e disposição de pagamento para produtos percebidos como premium — desde que a comunicação acompanhe.
Planeje reposicionamentos para o ciclo pós-carnaval 2027: antecipe os dados e posicione melhor sua estratégia para janelas de alta elasticidade. A Mira vai sinalizar o movimento assim que os primeiros concorrentes começarem a se mover.
Este relatório faz parte da série trimestral de inteligência de mercado da Mira. Acesse a plataforma para ver os dados específicos do seu segmento e concorrentes — incluindo o histórico de preços das marcas que você acompanha.